Arquiteto analisa o aumento dos compactos nas grandes cidades brasileiras

Tendências abr 02, 2026

Novas formas de viver nas grandes cidades vêm remodelando a estrutura de edifícios residenciais. Uma das expressões dessa mudança são os apartamentos compactos, também chamados de studios, com metragens que variam de 25 a 50 metros quadrados, em média, e projetos funcionais associados a áreas comuns como espaços de coworking, academias bem equipadas e ambientes de festas com características de salas de jantar, por exemplo.  

Imóveis com unidades menores têm apresentado valorização cada vez mais consistente, em pesquisas recentes, configurando-se também como opção para investidores. No início do ano, um novo empreendimento da construtora Vanguard, do Grupo Plaenge, que atua na região Sul, vendeu mais de 400 apartamentos em dois dias. A marca vai lançar seu primeiro projeto no Centro de Joinville – à Rua dos Ginásticos, próximo ao Shopping Cidade das Flores. Nesta entrevista, o arquiteto Leonardo Sturion, da Bohrer Arquitetos, parceira da Plaenge há quase 30 anos, explica os fatores que impulsionaram a nova onda no perfil dos residenciais. 

Leonardo Sturion – Bohrer Arquitetos

Uma tendência que ganha espaço nas grandes cidades são os residenciais com apartamentos compactos. Como você avalia a procura por esse tipo de empreendimento? Qual o perfil do morador? 

Existem diferentes vertentes que direcionam esse tipo de produto, seja por localização, aproveitamento dos coeficientes construtivos, valores de mercado, entre outras. Normalmente, o perfil de morador varia entre novas famílias ou compradores do seu primeiro imóvel, passando por investidores, além de profissionais já mais estabelecidos que procuram viver próximos ao trabalho. 

A expansão de plataformas de hospedagem, como AirBnb, pode ser vista como um dos fatores determinantes?

Sim, uma demanda constante e real é a lacuna deixada pela falta de acomodação na rede hoteleira das médias e grandes cidades. Com o avanço das plataformas de locação (short stay, ou locação de curto prazo), o mercado para o produto compacto ganhou ainda mais força. Nos últimos anos, a busca por hospedagem de curta duração passou a integrar o ecossistema do turismo nacional, uma tendência que vem crescendo sensivelmente, seja pelo incremento do turismo doméstico, seja pela maior flexibilidade do trabalho remoto.

Que outros fatores impulsionaram o aumento da oferta de compactos no Brasil? 

Além de ser um imóvel com valor de compra mais acessível, existem incentivos fiscais, ajustes nas legislações locais, linhas de crédito direcionadas. Todos esses itens criam um contexto que favorece a produção de novos projetos voltados a este nicho.

Por que razão esse tipo de imóvel costuma ser construído no centro das cidades? E de que modo esse fator influencia na composição dos projetos?

Os apartamentos compactos têm, em sua origem, o compromisso de ser práticos, tanto para moradia quanto como opção de investimento. É nas áreas centrais nas cidades que se encontram as maiores redes de serviços com a infraestrutura instalada mais completa. Essa realidade vem ao encontro da proposta de praticidade desses produtos, à medida que os empreendimentos se destinam a pessoas que buscam maior mobilidade no acesso ao trabalho e a opções de serviços, entre outros fatores, como jovens e casais sem filhos. Em consequência da dimensão das unidades habitacionais, as áreas comuns são projetadas para suprir algumas necessidades do morador, além de promover o convívio entre os vizinhos, garantindo o máximo de conforto possível. Bons exemplos são as áreas de trabalho/coworking, os ambientes de festas com características de salas de jantar, academias bem equipadas, e assim por diante.

Trend Downtown – Vanguard Porto Alegre/RS
MADÁ – Vanguard Londrina/PR

Qual o desafio maior de se projetar um apartamento compacto? Como garantir funcionalidade e conforto em uma área interna mais reduzida?

O principal desafio é, de fato, o aproveitamento da metragem. Incorporar as áreas de circulação como áreas úteis é determinante nesse sucesso. Apesar da banalização do termo, a flexibilidade das plantas garante, de fato, que elas acomodem públicos distintos, utilizando os ambientes de formas muito diferentes, durando o máximo de tempo de possível. Para essa boa adaptação acontecer não se pode ter espaços com finalidades tão rígidas. Concomitantemente, medidas e questões ergonômicas bem aplicadas garantem mais possibilidades de usos para os mesmos ambientes.

Nestes empreendimentos, pode-se dizer que as áreas comuns são mais valorizadas, para que os serviços e as opções de lazer estejam à disposição de todos os moradores?

Não são mais valorizadas do que em outros empreendimentos, necessariamente, mas são muito importantes no contexto de áreas reduzidas. Elas dão suporte às atividades cotidianas, favorecendo o trabalho, o lazer e a interação entre os moradores. De modo geral, nos empreendimentos de imóveis compactos temos um número relevante de ambientes, proporcional ao número de unidades habitacionais. Esses ambientes quase sempre assumem características também mais dinâmicas, de inclusão e socialização. Seja para um trabalho compartilhado, tarefas manuais ou alguma atividade de lazer/esportiva, a distribuição desses espaços materializa conceitos importantes de psicologia espacial. As adaptações acontecem, por exemplo, nos espaços de festas, conformados para recepções menores, mais íntimas. As lavanderias ganham status de lounge multiuso ao incorporar áreas de estar, trabalhar e consumir. Os minimercados ficam cada vez mais equipados, com vending machines de produtos diversos, máquinas de chope, de vinho, sempre na versão de autoatendimento. 

Shift – Vanguard Porto Alegre/RS
MOOD – Vanguard Porto Alegre/RS

Quais os segredos para a atratividade desse modelo diante do comprador?

Localização, preço competitivo, liquidez nas negociações e capacidade de acomodação de diferentes públicos aumentando a abrangência do público-alvo.

Como avalia o interesse das construtoras em aumentar a oferta de residenciais com esse perfil?

A construtora está respondendo, antecipadamente, a uma demanda de mercado. Análises e estudos locais são feitos para identificar tais necessidades e oferecer, também antecipadamente, esse tipo de produto. Essa análise adiantada das tendências é o que garante o sucesso de um empreendimento que faz uma boa leitura do mercado local a partir de um contexto regional ou, até mesmo, nacional e internacional.

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Maurício Dellagrana

Maurício Dellagrana

Maurício Dallagrana é o Superintendente Regional em Joinville, liderando as operações da Plaenge e Vanguard em Santa Catarina. Com uma carreira de quase duas décadas dedicadas ao Grupo Plaenge, Dallagrana possui um conhecimento profundo do mercado imobiliário local, tendo sido uma peça-chave na consolidação das marcas do grupo na região. Iniciou como Engenheiro Residente e por mais de 17 anos ocupou a posição de Gerente Regional da Vanguard Home em Joinville. Durante sua gestão, ele foi fundamental para estabelecer a Vanguard como uma marca de referência para o público jovem, liderando a entrega de projetos de sucesso, como o W135, que se destacou pela qualidade e inovação. Sua versatilidade e capacidade de liderar em diferentes segmentos do mercado, do dinâmico e arrojado ao alto padrão e sofisticado faz do Maurício uma referência no segmento imobiliário em Joinville.

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